The Wall - 1972
quarta-feira, 23 de abril de 2025
segunda-feira, 21 de abril de 2025
domingo, 20 de abril de 2025
devaneio de domingo a noite
As semanas só são semanas porque um dia se tornaram semanas e de efetivo imediato instituíram controle sobre o passar dos dias, os dias são ressignificados; o sol de terça-feira não ilumina o solo das quartas-feiras. Nos apresentamos aos dias de forma regida pelo dia. Estranhamos os dias os quais nos apresentamos ao dia errado. Eu, me contorcendo em um sábado me sentindo a segunda-feira, causa atrito. Estranhamento. Desfoque
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São poucas as vezes em que o ganso não enche o bucho de grama, caminha pelo lago, repousa seu bico em sua asa, caminha mais um pouco, nada um pouco no lago, se refresca, come um pouco mais de grama, toma um pouco de sol, levanta a cabeça e olha altaneiro para o horizonte apenas para voltar o seu bico para o repouso de sua asa, se levanta, abana as asas, caminha lentamente para uma mão, humana, verdadeiramente humana, que carrega um pedaço de pão de forma, doce ó doce pão de forma, como é doce para o ganso deglutir o pão de forma, ele chega perto da mão e o corpo, que imerecidamente carrega uma mão tão humana profere: vem pato vem. pão de forma patinho vem. O ganso para em seus trilhos, paralisado, imóvel, inexorável, encara a humana que lhe chamou de pato, levanta uma pata, a chacoalha e repousa a pata sobre o solo novamente, vê o pão repousando em uma bituca de cigarro, encara, imóvel, o pão por alguns segundos, vai até ele e o come. Quão doce pode ser esse pão? Este pão que sozinho seria tão doce, quão doce ele realmente pode ser se acompanhado de uma dor?
sábado, 19 de abril de 2025
quinta-feira, 20 de março de 2025
O que me conforta, dia após dia, são as horas de agonia,
Sem forma e sem cor, de tempos em tempos, todos os dias.
Em teus trilhos andamos - és lei regente nos principados.
Aos teus gatilhos levamos esta vida de seres agoniados.
Somos filhos, recordamos, de outrem também amaldiçoado.
Se alimenta ferozmente da inércia, sentimento familiar.
És reles dor e trauma; a ansiar move-me a ampliar,
Vícios, falhas e fraquezas com seu constante afagar.
Guiados por ti seguimos, com certeza de rumo e destino.
Confortamo-nos na paz de finalmente ter tino.
Temo quedar-me um dia sem ti. Aos meus instrumentos.
Tenho que estar vivo por ti, como norma do pensamento.
És ordem. Prescrita pela insatisfação do pensar,
Me impedes, bendita, de afogar-me em meu mar.
Tu tornas o caminho claro - torções sem opções.
Sem escolher ou decidir, sou ser, sem convicções.
Te sustento em dia e faz-te minha guia,
És doce e íntima, ó querida agonia.
terça-feira, 11 de março de 2025
nesta etapa de nosso encontro,
me encontro de face a um confronto.
o verbo, em encontro proibido,
em confronto com afeto contido.
rapidamente, surgem-me as memórias
de um passado que me recorda do futuro.
subitamente, tomam-me as estórias
de um passado feito firme como um muro.
Enfrento, empoleirado entre paixão suspensa,
Uma expressão qual precipitação é ofensa.
Temo, num deslize gritar a atração intensa,
E trazer ao nada a nossa devoção imensa.
Ante o medo, em coragem decido,
Mergulhar cedo neste amor medido.
Ouço, atento, aguardando o ecoar,
sábado, 8 de março de 2025
Tempo, a ti suplico
Posse do minuto.
E viver em ti, inevitável.
segunda-feira, 3 de março de 2025
Z Deli Restaurante
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
Ah, meu samba, tudo se transformou.
Nem as cordas do meu pinho podem mais amenizar a dor.
Onde havia a luz do sol,
uma nuvem se formou.
Onde havia uma alegria para mim,
outra nuvem carregou.
A razão desta tristeza é saber que o nosso amor passou.
Violão, até um dia.
Quando houver mais alegria eu procuro por você.
Cansei de derramar inutilmente em tuas cordas
as desilusões deste meu viver.
Ela declarou recentemente que ao meu lado não tem mais prazer.
