Temos que nos permitir a existência dos dias que acreditamos terem sido desperdiçados.
Buscar eles,
de fato, viver a desperdiçar dias.
Em protesto ao improdutivo equilíbrio,
nos afundar e nos esgotar,
e,
de fato,
buscar se afogar.
Temos que nos permitir a existência dos dias que acreditamos terem sido desperdiçados.
Buscar eles,
de fato, viver a desperdiçar dias.
Em protesto ao improdutivo equilíbrio,
nos afundar e nos esgotar,
e,
de fato,
buscar se afogar.
Meu maior inimigo desde que me tornei um ser pensante tem sido ser pensante. De todos os tigres, cobras e desastres naturais dos quais nos separamos enquanto espécie, nos restou o mais perigoso de todos os predadores, a nossa própria mente. Perfeitamente adequada para manter-nos de pés e mãos atadas à gorar por um constante conforto da pausa no ser, perfeitamente adequada para se manter em um vácuo de decisões que não decide mudar o que vem e muito menos compreender o que se foi.
A nossa mente animal busca sempre o decrescimento das conquistas do ego, simplificar e reduzir as responsabilidades que alarmam incessantemente os gatilhos da sobrevivência selvagem. Viver e trabalhar em conjunto nos faz agir priorizando a aprovação do outro à aprovação e contentamento interno, manter-nos aceitos dentro da aldeia é uma garantia de vida maior do que qualquer melhora pessoal. O cinto segura a calça que segura o cinto e assim em diante construímos uma falsa sensação de estabilidade em cima de uma fraca fundação de si.
Tudo que vemos, tudo que nos é apresentado e tudo que nos está disponível para experimentar e interagir que tenha sido fruto da necessidade hercúlea do homem de transferir sua mente para o mundo das coisas tangíveis, deve ser chamado de arte.
Vigas, tijolos, asfalto, microchip, cadeiras, barcos e tudo que o homem constrói vem de sua consciência, tudo teve de ser pensado antes de existir, portanto, um prédio representa a mente humana assim como o homem se expande na sua casa e torna cada canto, esquina e curva em si mesmo. Decorações, aromas, e retoques são todas formas de agregar a nossa própria consciência ao mundo material (também fazemos isso com outros humanos).
A arte está incluída no grupo das antropias e portanto é também uma representação da mente humana, inclusive, seu objetivo é justamente esse e única e exclusivamente esse. Fazemos arte porque precisamos desesperadamente materializar um sentimento e não importa o meio de expressão ou qualidade da obra, toda expressão artística é um fragmento da consciência humana. Conhecemos uns aos outros pela arte, perguntas sobre filmes, musicas e livros favoritos são tão costumeiras porque dizem muito sobre quem as responde.
A soma total de todas as artes é, em suma, O ser Humano. Um museu de arte contemporânea nada mais é do que um mostruário para quem estamos sendo. A arte é vista como o método humano de se apresentar a alguma consciência terceira; fazemos artes e colocamos as melhores em museus para causar certa impressão em quem as vê. Um Mondrian (que qualquer um faz essa merda que bosta de quadradinho colorido) ser vendido por milhões de dólares não afeta a vida de uma pessoa comum que fica com raiva ao saber que alguém pagou milhões de dólares em alguns quadrados coloridos, ela só se sente mal representada, ela sente que aquela expressão do Mondrian que está recebendo atenção não ressoa com seus próprios sentimentos e por isso eles não são válidos.
A arte moderna "abstrata", muitas vezes não compreendida serve como a representação de uma sociedade na qual o bonito objetivo não faz sentido. Qual a relevância de um lindo bosque florido para a psique de uma sociedade que vive em constante medo? Por outro lado, uma sociedade que viveu por centenas de ano vivenciando os períodos mais sombrios da experiência humana implorava pela beleza e pela materialização de um mundo em que as lindas árvores verdes sombreiam os floridos e vivos lagos azuis.
Resta a nós, massa humana, o dever de prestar atenção. Entender arte é entender o seu contexto e, estar conectado com a arte na sua máxima vanguarda é estar sobriamente vivo dentro de seu próprio contexto. Somos humanos, vivemos e nos expressamos em conjunto e nossa saúde depende disso. Compreenda para expressar e expresse para compreender.
quem sabe no dia em que eu morrer
e voce for pensar em tudo que fiz
quem sabe nos dias em que voce lembrar
voce verá que nao terei feito muito
não terei sido ultimo nem primeiro
não terei explorado o espaço
não terei morrido em grandes batalhas
mas terei andado muito de metrô
eu sei que nos dias em que voce lembrar
verá tudo que trilhei
que se minha vida chegou em algum lugar
foi andando de metrô
meu coração não acelera faz tempo,
minhas mãos não tremem faz tempo,
há algo de errado comigo,
me sinto estranho.
sobretudo minhas emoções desistiram.
a dor enfim se dissipou em um morno
luto intermitente pelas emoções.
choro por não ter por que chorar.
rio por tudo ser tão maçante.
não vejo nada além do amanhã.
não lembro de nada além do ontem.