O homem feliz é uma árvore seca,
ágil e leve, dado e moldado aos ventos.
Uma árvore sem seiva e sem raízes.
É ágil de vazio e leve porque já morreu.
O homem feliz, desfolhado, não sente o sol,
é um puleiro sem ninhos, o homem feliz.
meu coração não acelera faz tempo,
minhas mãos não tremem faz tempo,
há algo de errado comigo,
me sinto estranho.
sobretudo minhas emoções desistiram.
a dor enfim se dissipou em um morno
luto intermitente pelas emoções.
choro por não ter por que chorar.
rio por tudo ser tão maçante.
não vejo nada além do amanhã.
não lembro de nada além do ontem.
Fiz o vídeo referente aos textos "Penso que penso demais" e "À lua querida". Quis representar o caráter sórdido da vida do homem que se tornou egoísta por falta de opção. A referencia do texto é como sempre Fernando Pessoa, nesse caso sua obra ortônima "Furia nas trevas o vento". A referência de imagem é novamente "Det Perfekte Menneske" que não consigo tirar da minha cabeça. A música é Lagrima de Francisco Tárrega com um efeito pesado de reverberação.
Penso que penso demais
Penso e não cesso
Penso, penso e penso
Penso no penar de pensar sem cessar
Penso no penar de cessar de pensar.
Penso antes de falar e perco a voz
Penso antes de fazer e perco a vez
Penso agora que as vezes não penso
Penso agora que as vezes eu falo
Penso agora que as vezes eu faço
Penso que viver me faz pensar
Penso enquanto vivo que hei de pensar
Penso que temo viver porque temo pensar
Penso que sem viver só me resta pensar
Penso porque penso e odeio pensar.
O dia se foi, e a noite chegou.
Penso sobre o dia.
Tinha tanta coisa pra fazer,
não fiz.
Tanta luz para aproveitar,
não aproveitei.
De noite já está tudo fechado,
frio, escuro e dormente.
Inundado na escuridão reflito,
lembro do dia ter sido muito lindo,
quente, claro e vívido.
Durante o dia não lembrei de fazer nada,
apenas vivi o calor a claridade e a nitidez.
Sorri e me sorriram de volta,
abracei e me abraçaram de volta,
amei e acreditei me amarem de volta.
Agora que o sol já foi, penso:
o dia foi curto demais.
Agora que eu só estou, penso:
a noite será longa demais.
Não quero dormir.
Não posso perder esse dia.
Quero ficar nessa noite para sempre,
esperando o sol voltar.
Pato meu amigo,
Pato meu grande companheiro,
Pato, você que nada.
Pato, você que voa.
Pato, você que sem uma pata apenas manca.
Meu amigo pato você é muito superior a mim.
Você é muito melhor do que eu.
Eu, que mal nado,
Eu, que apenas sonho em voar,
Eu, que por todas as patas choro.
Pato sua vida é tão simples.
Pato sua vida é tão boa.
Pato meu amigo quem sabe um dia voarei contigo.
"Viraliza nas redes sociais o relato de uma espectadora do show da cantora Ludmilla no Lollapalooza Brasil, que ocorreu nesse sábado (25/3), em São Paulo. Ela contou que teve parte do cabelo queimado na apresentação, o que pode ter sido causado pela pirotecnia utilizada no show, além do calor no ambiente."
A melhor apresentação que já vi foi de Yamandu Costa em um teatro, o palco: Uma cadeira, um banco e um chimarrão. O poder da sua apresentação é a música, afinal ele é um músico e não um especialista em luzes e pirotecnias. Um homem e um violão preencheram um teatro de 700 lugares de forma que mal se respirava, não se olhava pro lado e se chorava muito.
A pior apresentação que já vi foi de Mc Kevinho na lúcio de 2019 no Canindé, o palco; lotado de pessoas, pirotecnias e luzes. O poder da sua apresentação não é a música, apesar dele ser um musico e não um especialista em luzes e pirotecnias. Um homem, um microfone, um Dj e uma comitiva ficaram minúsculos dentro do palco, só se olhava pro lado.
Lança chamas, fresnéis giratórios, canhões de confete e seres priápicos dançando surgem nos palcos como distraçã para que o espectador não entre em um buraco de autocomiseração pensando que pagou 500 reais para escutar 4 acordes (no máximo) e uma percussão digital. Enquanto o espectador estiver focado em bundas e luzes ele não estará focado na música horrível que está sendo bombardeada "guernicamente" sobre sua cabeça
É extremamente injusto e pedante chamar qualquer tipo de arte popular de ruim, o que eu realmente quero dizer é que assim como um tumor no cérebro é um grande indicador de um possível câncer, pirotecnias são indicadores de algo ruim. Um ótimo exemplo é o cinema, no qual essa discussão já foi abordada ad nauseam pelos dinamarqueses que buscavam produzir filmes da forma mais orgânica possível sem render temas visuais apelativos como tiroteios. O que eles fizeram foi perguntar, de forma muito dadaísta, o que de fato compõe um filme e até que ponto certos fatores existem apenas para adormecer o espectador.
Assim como tudo no nosso mundinho frívolo, nada é uma máxima. Existem filmes ótimos pautados em sexo e tiroteio assim como existem músicos incríveis que decidem ter shows mais "divertidos". Mas se você um dia se encontrar duvidando sobre quão bom algo é, separe o nuclear do acessório e analise, o canhão de confete está afinado? O lança chamas está em La Bemol ou La natural? Ou será que o confete e o lança chamas estão ali apenas apoiando uma indústria autolísica? O bom é objetivo à sua experiência, descubra-o e aplique-o.